Nessa entrevista Chris fala sobre as filmagens do filme, das diferenças na direção entre Twilight e New Moon e muuito mais ! ;D

Chris Weitz: Onde Bella encontra Laurent na clareira, essa foi uma cena de dois dias e entre os dois dias nevou e chegamos de manhã às 6h e estava nevando, aproximadamente 4 polegadas da neve. Então, tivemos que nos virar para ajeitar o calendário. Fazer todo tipo de coisa.

Como você lida com a continuidade da iluminação quando você está lidando com situações de tempo drásticas?

Chris Weitz: Bem, naturalmente o que esperamos em todos os casos é o tempo cinza. Estamos nesta posição esquisita de querer o mau tempo. Queremos a chuva leve ou a cor cinzenta sempre. Nem sempre conseguimos, então quando não conseguimos, usamos telas gigantescas suspensas em grandes condores para bloquear o máximo que podemos. Mas então tem esta tortura contínua a Javier, o nosso diretor de fotografia, porque você pode fazer uma sombra na áera onde os atores estão atuando, mas na no fundo estava brilhando — raios de luz entrando — e é claro que tem clima de vampiro também. Às vezes podemos nos virar com um dia cheio de sol em Forks, mas nunca um dia quando Edward está por aí, porque não queremos ficar mostrando a coisa dos diamantes . Então, realmente, sabe, eu ficarei tão feliz quando filmarmos em estúdio em aproximadamente uma semana e pudermos deixar de nos incomodar com o tempo.

Então, você filmará em lugares fechados?

Chris: Estaremos mudando para cenas internas em uma semana. Então, temos só mais uma semana para surtar um pouco sobre o tempo. Tem tipo uma maldição do tempo de Twilight, mais ou menos. Você não consegue o tempo que você quer em um determinado dia. Vai dar sol no dia que você quer chuva, e no outro dia você quer sol…

Então tudo isso [indicando o set da casa da Bella] continuará de pé?

Chris: Você sabe que é engraçado, estive pensando o que seria a melhor coisa a fazer. Eu acho que o que eles vão fazer vai ser desmontar a casa. Eu quero dizer, você sabe que é linda, mas não sei. Não estou seguro que a casa resistiria a um inverno de BC e tal. Penso que provavelmente o que eles farão é desmontar, armazenar e construir novamente, enquanto eu ainda acho que continuar alugando aquele terreno, seria  meu melhor palpite.


Então veremos pessoas entrando na casa?

Chris: Sim, bem, a coisa interessante é que, por certos ângulos, é perfeitamente caracterizado. Mas se você visse por outros ângulos você pode ver que é somente um núcleo vazio. Tanto que quando Jacob pula na janela, o que ele vai fazer finalmente, então temos o suficiente para estar bem dentro da janela e para que Bella ande para trás quando ele entra, mas você não veria o contrário da janela – então voltamos para o interior – mas esperamos que, quando for o filme e a edição, fique sem rupturas do jeito que for colocado junto. Você nunca perceberá aquele tipo de coisa então será um leve corte.

Foi intimidador entrar em um fandom com fãs tão intensos?

Chris: Sim – por um lado é, mas por outro lado realmente todo mundo quer que o filme esteja bom e todo mundo foi muito encorajador e apoiou… as coisas pareceram muito positivas em relação a mim – naturalmente estive evitando a Internet porque não quero que me encontrem.

A minha responsabilidade é com o público leitor, e a minha responsabilidade não é com a Internet – não importa o que vocês estejam fazendo – estou me dirigindo às mesmas pessoas que vocês estão, mas não quero ser pego em nenhuma controvérisa que está rolando online ou qualquer coisa que as pessoas disseram de mim quando eu fui selecionado. Eu fiz isso na Bússula de Ouro uma vez – e teve uma votação sobre quem eles queriam ter como diretor, e outro me venceu. Eu não queria estar naquela situação.

Eu acho que foi legal que a imprensa mostrou o quão comprometido você estava com as filmagens que esse tipo de coisa não aconteceu.

Chris: Bem isso é bom – Eu acho bom ter esse tipo público sólido de fãs, e eu sinto que eles são extraordinariamente apoiadores. Eles realmente querem que as coisas sejam boas, o elenco quer que as coisas sejam boas – o mesmo tipo de relação de querer que o livro seja bom… é assim que eu me sinto.

O que é muito apreciado.

Chris: Isso é bom. É ótimo que teve um primeiro filme que fez tanto sucesso, mas para mim o livro é uma Bíblia. Então quando eu li o livro, eu li muito rápido então eu tive uma experiência similar a quando pessoas liam pela primeira vez. Eu não queria dividir em pedaços imediatamente. Eu só queria ler de uma vez só – depois eu meio que fui voltando, você sempre tem que selecionar quais momentos estarão – é um livro de 600 páginas – eventualmente, você vai desapontar pessoas – mas eu acho que se você faz isso com a atitude de que minha lealdade tem que ser aos leitores, e ao que eles experimentaram, mais do que para os fãs do primeiro filme. Embora tenha que haver alguma consistência do primeiro filme para o segundo. É realmente para os leitores.

O que você fez para deixar o tom mais escuro? Você fez algo específico para deixar mais sombrio como filme?

Chris: Sim, acho que é só não ter medo das tonalidades da atuação e do tom de filme. Não, porque obviamente com um filme de grandes estúdios e um monte de dinheiro em jogo, você sabe que alguém pode temer que, se você não tem pessoas sorrindo e dando risada o tempo todo, você estará em apuros. Mas eu acho que parte do apelo disso é realmente afundar na melancolia que as pessoas experimentam quando estão tristes: quando perdem alguém, quando têm saudades de alguém, e não devem temer isso.

E em termos da paleta de como o mundo é representado, só para ser técnico, por exemplo, os escuros são bem marcados, então haverá sombras profundas, pretos muito profundos, e literalmente e metaforicamente isso faz as cores se destacarem mais.

Terá uma parte do filme em que as coisas estão mais escuras e sombrias, mas então terá meio que uma explosão de cores quando chegar na Itália. E tem esse tipo de êxtase – e esse tipo de felicidade antes e então se perde tudo… é meio que tentar de todas as formas, mesmo em termos de design, em diferentes sets e coisas assim, para ter certeza que cada pedaço, cada detalhe, seja uma metáfora de onde o personagem está no livro, e você seguirá a jornada de Bella.

Também não é tirar o foco do ponto de vista de Bella. O livro é narrado por Bella. Então nós precisamos ter esse equilíbrio entre ter Edward demais e ter muito pouco de Edward. Se você tiver Edward demais, será uma coisa terrível porque você quer que o público perceba aquela espera também, e se você tiver muito pouco de Edward… Eu serei caçado e morto. E é esse equilíbrio que tem que ser atingido.

Você conversou com Stephenie Meyer – ela te deu alguma dica?

Chris: Sim, nós conversamos o tempo todo. Nos mandamos e-mails para lá e para cá o tempo todo. Ela visitou o set, e eu fui para o Arizona para sair com ela. Sim, eu estou passando as coisas por ela constantemente para que a mitologia da série não seja violada. Eu não quero empurrar nada rápido ou cometer erros em termos de apresentar algo que não faça sentido em seu universo. Você teria que perguntar para ela, eu não quero ganhar o crédito, você teria que perguntar qual o grau de satisfação dela. Pelo menos ela diz para mim que ela acha que o filme será lindo, e isso não é um crédito meu, isso é mais para Javier Aguirresarobe, que faz um trabalho absolutamente lindo. E a idéia é tentar fazer o mais lindo e elegante o possível.

É difícil para uma pessoa criativa ter sua visão do filme e combinar com a visão dela do filme ou do livro?

Chris: Por um lado, é mais fácil porque você não está trabalhando numa tela vazia, você sabe que tem algumas ferramentas para trabalhar e eu ganhei esse elenco maravilhoso, e isso é ótimo, mas eu estou bem feliz trabalhando no gênero de adaptação literária, que é como eu realmente vejo isso. E não quero acreditar na teoria severa que diz que o diretor cria tudo, e eu não acho que isso é certo. Você verá só de andar por aqui, tem 100 pessoas trabalhando, e cada um tem boas idéias. E tem um diretor de fotografia que entende de luz melhor do que eu. Tem os câmeras que entendem de foco melhor do que eu e todas essas coisas, eu sou meio que um guarda de trânsito glorificado…

Eu diria condutor-

Chris: Condutor é sempre o jeito que soa bem… e eu estou coordenando todos os esforços deles. Então, isso não me incomoda. Eu gosto muito disso na verdade. Eu tenho um padrão em que me apoiar que já está lá. Ao passo que se eu escrever algo sozinho, eu nunca acredito nas minhas próprias criações. Elas parecem fazer as coisas certas com os atores. Então eu não tenho problema com isso de forma alguma.

Como é a transição da sua versão para o filme e a de Catherine Hardwicke? Às vezes, quando diretores mudam, é uma grande mudança. Dá para perceber pelo estilo. Que tipo de estilo você traz para esse filme?

Chris: Eu acho que a maior mudança vai ser que eu sou um pouco careta. Eu sou fora de moda e Catherine é bem a frente da moda e consciente sobre a sensibilidade pop. Eu sou mais preso aos filmes antiquados românticos. Então, se você seria um nerd de filmes, você perceberia o sabor do filme, o trabalho da câmera. Eu gosto menos de usar câmeras de mão do que Catherine Hardwicke. Coisas como essa, são diferenças mais estilísticas do que meu tipo de “pegar e fazer isso.”

Obviamente eu devo muito a ela, porque seu elenco era bom, então eu meio que ganhei essa fantástica caixa de ferramentas e essa base de fãs extraordinária.

Tem alguma coisa do primeiro filme que você sentiu que tinha que mudar?

Chris: Não. Eu acho que as coisas principais, que funcionaram com o primeiro filme foram relacionamentos e sentimentos dos personagens principais, são as mesmas coisas que vamos trabalhar nesse. Todo o resto é só sinos e sussurros. Eu quero dizer, tem muitos efeitos especiais a mais nesse filme então o fato de que eu tenho muita experiência nessa área ajuda. Mas não deve parecer muito diferente. O filme não deve parecer como se você estivesse num filme de ação ou num filme de efeitos visuais. É errado se isso ficar desse jeito. Só é certo se os efeitos visuais transmitirem os sentimentos que tem nos livros, em primeiro lugar. O mundo do livro expande naturalmente, como com os Volturi. Obviamente, eles não estavam no primeiro filme, mas tudo foi um desenvolvimento orgânico.

Você tem uma cena preferida que está ansioso para ver?

Chris: Estou empolgado com as cenas do Taylor e da Kristen. Estou empolgado com a última aparição com Taylor, Kristen e Rob, porque eu sinto que a química é simplesmente fantástica. As relações deles são fantásticas. Eles trabalham do jeito que deveriam. Você pode entender exatamente o que eles deveriam passar. Você pode entender exatamente porque Bella deveria se sentir tentada a, eu acho, “acomodar” seria uma palavra melhor para Jacob, ou ter a opinião de que realmente é um triângulo amororso. Isso está se estabelecendo lá. Parece muito bom. Nós já filmamos muito disso. Nós ainda não filmamos os Volturi, mas eu acho que será bem extraordinário. Eu vi o set tomando forma e é incrível.