Como é viver um lobisomem no cinema e entrar para o hall dos que interpretaram essa lendária criatura, como Jack Nicholson?

Taylor Launter: Primeiramente eu me sinto muito honrado com essa comparação, afinal Jack Nicholson é um ator maravilhoso e eu ainda não sei se o Jacob será um personagem tão marcante assim. [risos] Mas sou extremamente agradecido pela oportunidade que me deram de fazer o Jacob e de crescer como ator diante desse papel. Eu espero que as pessoas gostem do resultado do meu trabalho.

Quando a seqüência de Crepúsculo foi confirmada, ainda não era certo se Taylor Lautner continuaria no papel de Jacob Black. Como vocês lidaram com a dúvida?

Kristen Stewart: Na cabeça de todo mundo, Taylor Lautner era ideal para o papel. Ele era jovem na época, mas nós sabíamos que ele era o cara certo para o personagem. A mídia fez essa incerteza parecer maior, ainda mais se compararmos ao sentimento do restante do elenco.

Taylor Lautner: Mesmo sem saber o que aconteceria, eu me centrei no que deveria desempenhar. Me preparei para Jacob mesmo sem saber se continuaria a interpretá-lo. No dia seguinte ao final das filmagens de Crepúsculo, eu começei a malhar porque sabia que se eu fosse continuar no papel de Jacob, tinha que fazer alguma coisa para retratá-lo como ele é no filme. Ele cresce, encorpa, fica mais forte e eu era muito magro. Sabia que se quisesse continuar com o papel, tinha que fazer por merecê-lo.

Kristen: E nesse ponto ainda não tínhamos um diretor nomeado e nenhuma certeza concreta de que ele continuaria no elenco. Então se isso não é dedicação eu não sei o que é.

Taylor (sorrindo): Sim, e foi uma dieta pesada e um trabalho duro, mas decidi focar no que eu podia controlar, que era me preparar mentalmente e fisicamente para o papel. Então foi isso que eu fiz.

Kristen: Todos nós sabíamos que ele era a pessoa perfeita para o papel e todos nós – o elenco e o pessoal da criação – não tínhamos dúvida de que tinha que ser ele. E estávamos certos.

Como foi para vocês a experiência da Comic-Con 2009, uma vez que o evento teve um burburinho muito maior do que o normal por conta do painel de Lua Nova? Foi a primeira vez que pode se observar fãs dormindo na fila para assegurar uma vaga no painel do filme. Como vocês enxergaram tudo isso?

Taylor: Nossos fãs são muito emotivos e calorosos aonde quer que estejamos. Isso não aconteceu apenas na Comic-Con, aconte em qualquer lugar que a gente vá. Sei que várias pessoas dormiram em frente ao hotel de ontem para hoje, por exemplo! Nossas fãs são empolgadas em todos os lugares e é incrível contar com esse tipo de apoio, essa consideração. Elas são todas incríveis.

Kristen: A Comic-Con foi o primeiro lugar onde se mostrou cenas de Lua Nova. E eu estava muito nervosa. Porque quando lemos um livro, temos uma ideia muito pessoal, muito nossa, sobre tudo que está ali, mas quando isso vai para o cinema, é como se ficasse mais real. Então mostrar aquele primeiro clipe lá e ver a reação dos fãs foi incrível, porque eles aprovaram. Estamos aqui por causa deles, que são incríveis. Hoje tem muito material liberado, mas lá foi a primeira vez. Achei bem legal a interação inédita que aconteceu com os fãs na Califórnia.

Quais as principais diferenças entre Crepúsculo e Lua Nova? E como foi trocar a direção de Catherine Hardwicke para Chris Weitz?

Taylor: Eu não participei ativamente das filmagens de Crepúsculo, por isso não tive muita oportunidade de trabalhar com Catherine, pois estive em apenas umas quatro cenas de Crepúsculo. Mas posso falar do trabalho com o Chris Weitz, que é um cara muito bacana, profissionalmente e pessoalmente.

Kristen: Catherine tem vários trabalhos incríveis independentes e muito do look de Crepúsculo se dá a isso, até porque nosso orçamento era bem menor. Com Chris, tudo cresceu e acho que pudemos investir mais psicologicamente em nossos personagens por consequência do trabalho que fizemos com Catherine. E quando se trabalha com alguém tão talentoso, você se sente desafiada. Chris Weitz deixou que nos apropriássemos de nossos papéis, que pudéssemos construir nossos personagens. No primeiro filme, Bella está totalmente segura. Em Lua Nova, ela não sabe mais nada, mas recupera essa confiança inata com a ajuda de Jacob e com a volta de Edward. A história desacelera um pouco e fica mais real. Lua Nova é mais vívido e mais profundo em vários aspectos.

A que vocês atribuem o sucesso da saga no Brasil? Já que aqui não se tem um histórico muito grande de fãs de vampiros, lobisomens e esse universo místico?

Taylor: Acho que a série é muito mais do que uma mera história de vampiros e lobisomens. Seu combustível é formado de seus personagens, porque vivem dilemas de amor, amizade, e tantos outros que é fácil se relacionar com eles. Por isso pessoas do mundo inteiro conseguem se identificar com as situações, não importa o lugar.

Kristen: Os vampiros e lobisomens são apenas artifícios na história que ajudam a criar situações mais interessantes para se ver, mas é como Taylor disse, são os personagens que importam. Se você é fã de fantasia, é legal também, mas não só por isso. É, basicamente, uma história de amor. Existe um nível emocional exacerbado que a gente não vê todo dia. Os impactos desse amor alteram inclusive o estado físico de Bella, e isso é algo muito inusitado.

Em recente pesquisa brasileira, constatou-se que crianças de 9 a 13 anos preferem Jacob a Edward. Como esse fenômeno pode ser explicado? Já acima de 14 as meninas preferem o Edward. Como você explica essa diferença etária entre o Team Jacob e o Team Edward?

Taylor: Não sei [risos]. Eu adoro a personalidade dele e fico muito grato por ter conquistado o papel e o amor das fãs, independente da idade delas.

Como vocês fizeram para tornar Robert Pattinson mais presente no filme, já que no livro ele aparece muito pouco?

Kristen: O Robert está realmente bastante atuante em Lua Nova, mesmo que seja apenas na cabeça de Bella. E para tornar essas “visões” mais reais, ele acaba aparecendo muito, ainda que como uma visão. E essas aparições são importantes, para que o público não se esqueça de torcer por ele. Porque se eles simplesmente some da trama, as pessoas vão se perguntar porque a Bella não se apaixona logo por Jacob. Se vocês não se lembrassem de Edward e Robert Pattinson, provavelmente não reclamariam se ela ficasse com Jacob [risos]. Tendo Edward presente faz com que todos tenham as mesmas dúvidas de Bella.

Taylor: E também é uma maneira de desenvolver melhor o triângulo amoroso, já que em Crepúsculo as atenções estavam voltadas para Bella e Edward. Agora Jacob tem a sua vez. E já deixa muito bem delineado o embate entre os dois, que será muito explorado em Eclipse.

Kristen: Queríamos ter certeza de que não existiria dúvida de que as visões que Bella tem de Edward são da sua cabeça, do que ela imagina ser o que ele diria a ela. Não queríamos que pensassem que fosse telepatia. Mostrar Edward ajuda nessa visualização e também porque com o Robert em cena, mais meninas iriam querer ver o filme (risos).

Taylor, quais seriam os seus argumentos para que Bella escolha Jacob?

Taylor: Sinto que essa pergunta é uma armadilha, mas vamos tentar responder [risos]. Tudo depende do tipo de menina que ela é e do que ela gosta. Jacob e Edward são totalmente opostos. E eu acho que, na verdade, essa pergunta tinha que ter sido feita para a Kristen e não para mim. [risos]

Kristen: Jacob é ótimo para Bella. E na teoria ele seria o cara exato pra ela ficar. Ela é muito mais ela, mais natural quando está com ele, além de ele já ser amigo da família e o queridinho do pai da Bella. Ele seria a escolha mais coerente e racional. Mas vocês bem sabem que as meninas nem sempre escolhem o que parece ser a melhor alternativa [risos]. E Edward é sua alma gêmea e se você acredita em destino, quem leu Amanhecer sabe que o destino de Jacob não era ficar com Bella. E ela não deve ficar com Jacob só porque é mais fácil.

Vocês leram os livros antes dos filmes?

Taylor: Claro que lemos. Quando filmei Crepúsculo, eu via o Jacob de maneira bem diferente. Muito. Nada teria funcionado tão bem se não tivéssemos lido os livros. Eles têm mais detalhes para completar as lacunas.

Kristen: Na época em que me trouxeram o roteiro, eu estava trabalhando muito e nem sabia ao certo o que era o fenômeno Crepúsculo. Depois de ler o roteiro e gostar muito, decidi ir atrás dos livros. E foi só depois de ler o livro que aceitei fazer o filme. O roteiro é só um esboço. Toda vez que temos que fazer uma cena importante, voltamos ao livro e lemos o capítulo.

Taylor, como foi o trabalho de malhação necessário para você interpretar Jacob?

Taylor: Houve muito esforço e levou certo tempo. Logo que acabou Crepúsculo eu comecei a me exercitar e a comer bastante carne, massas e shake de proteínas. Parece que deu resultado. [faz o gesto de mostrar os músculos] [risos]

Kristen: Lembrando de novo que ele nem sabia se realmente continuaria no papel! Esse detalhe torna a sua dedicação ainda maior.

Como foi para interpretar a mudança da “Bella sempre protegida por Edward” de Crepúsculo para a “Bella mais rebelde e impulsiva” de Lua Nova?

Kristen: Eu não achei difícil essa transição. Porque foi uma mudança muito natural. Em Crepúsculo, Bella é uma menina que não sabe o que está acontecendo. Ela gosta de ser quem ela é, mas por causa de Edward ela passa a se conhecer melhor. E quando tudo que ela mais ama, e que a faz se sentir bem – que o Edward – é tirado dela, a estrutura química dela é alterada. Ela não sabe mais o que fazer e só descobre a resposta graças a Jacob. Em Lua Nova, Bella amadurece. Ela se torna mais mulher. Ela está se tornando uma mulher, não é mais a menininha de antes.

Qual a cena preferida de vocês dos dois filmes?

Taylor: [risos] Ah, eu sou um menino, então gosto de sequências de ação. Adorei a cena de luta no final de Crepúsculo, quando a Bella tem um flashback depois de ser mordida por James. Foi muito legal e muito emotiva pra mim. E eu não acredito que disse isso em voz alta. (risos dele e de Kristen). Já em Lua Nova eu gosto muito da cena que temos no quarto.

Kristen: (risos) Essa é a minha cena preferida também! Temos uma cena no meu quarto onde depois de ela descobrir que ele é um lobisomem, ele a repele. E nessa cena voltamos a ser amigos em, tipo, dois segundos. Isso mostra muito sobre os personagens. Se o amor entre eles não fosse fraternal, nunca teríamos nos reconciliado em tão pouco tempo. Ah, e tenho que dizer que Taylor dispensou dublês para as acrobacias que Jacob faz para entrar pela janela nessa cena. Isso é incrível!

Taylor: E eu treinei tanto e tive apenas dois takes! (risos) Sério, eu treinava cerca de 2 a 3 horas por dia para poder fazer essa cena.

Kristen: Outra cena que gosto muito de Lua Nova é a reconciliação entre Bella e Edward, quando eu empurro ele para longe do sol em Volterra e digo algo do tipo “não morra. Se quiser, eu saio da sua vida, mas não morra por isso”. E em uma troca de olhares, tudo que aconteceu antes, toda a dor, todo o sofrimento, desaparece.

Por falar em reconciliação, Bella passa por momentos de muita tristeza na trama. O que vocês fariam se estivessem tão perdidos quanto a Bella está em Lua Nova?

Kristen: É difícil pensar assim porque acho que ninguém já amou tão absurdamente assim, como ela ama Edward. É algo além de amor no sentido total da palavra. Se fosse comigo, se fosse um namoro terminado, acho que faria isso. [Kristen faz cara de tristinha para Taylor, que ri. Todos riem]. E ele [aponta para Taylor], por ser um dos caras mais decentes que já conheci, me diria algo que faria tudo ficar bem.

Taylor: Bem, eu diria que não era para ser.

Kristen: Viram? E isso é a melhor coisa para se dizer em uma situação dessas. [mais risos]

Taylor: Mas é verdade! Eu não ia querer impor uma situação, sabe? [risos constrangidos] Eu não faço a menor ideia do que eu faria numa situação dessas. Vou pensar nessa e, quem sabe, responda mais tarde. [risos]

Como foi trabalhar com os efeitos especiais?

Taylor: Eu fiquei suspenso por fios, completamente parado no ar para que eles colocassem o lobo digitalmente depois para a cena da primeira transformação do Jacob. Foi muito legal de fazer.

Kristen: E o legal é que eles colocaram os olhos do Taylor, tipo, não foi CG, foram os olhos dele no lobo e isso foi muito legal porque o fez expressar muita emoção.

Quais percepções vocês tiveram do Brasil e o que fizeram durante a estadia?

Taylor: Essa é minha parte favorita das entrevistas! Eu adoro churrascarias brasileiras e ontem aproveitamos o tempo livre para irmos a uma. E eu amei. E aqui existem mais prédios do que eu imaginava [risos].

Kristen: [risos] É mesmo. Pode parecer ignorância minha, mas não imaginava que São Paulo fosse enorme desse jeito. Os fãs também foram muito amistosos e amigáveis. Foi demais.